Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 5.500 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 5 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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de vers une musique expérimentale, de pierre schaeffer

Por outro lado, tendo eu próprio resistido com todas as minhas forças ao espírito de sistema aplicado ao procedimento concreto, ao construtivismo prematuro de músicos que, no meu entender, não respeitavam suficientemente o empirismo experimental, apercebo-me de uma convergência inesperada e, por assim dizer, física. Tomo como prova uma experiência recentemente realizada com a obra do jovem compositor alemão Stockhausen. Tive a oportunidade de ouvi-la executada em Colônia no excelente estúdio da Nordwest Deutsche Rundfunk sob a batuta magistral de Hermann Scherchen. Não pude me furtar ao movimento de recuo que experimento diante de toda a obra atonal (pois continuo persuadido de que seja impor aos instrumentistas uma ginástica contra a natureza). Pois bem, durante a conferência inaugural da Jornada, reescutei através de alto-falante a obra de Stockhausen gravada em fita. Embora freqüentemente em música concreta eu lamente a falta do elemento espetacular do concerto, tive ocasião de me felicitar aqui por sua ausência, graças à qual eu ouvia, acumuladas pelo alto-falante, que atuava como elemento centrípeto, as diferentes notas dos instrumentos então intimamente soldadas e formando objetos sonoros muito brilhantes e delicados. Eu dizia acima que o quebra-cabeça só se explicava completo. Era bem este o caso: a música abstrata de Stockhausen encontrava-se com a experiência concreta; ela era mais válida acusticamente fundida pela cadeia de gravação e escutada por um ouvido há alguns anos habituado a perceber objetos sonoros enquanto tal; ela se tornava muito mais justificada e inteligível; em outras palavras, a mesma obra apresentava duas faces: uma destrutiva, negando um passado que creio sempre duradouro (i.e., a realidade da escala) e outra voltada para o futuro.

(Pierre Schaeffer, “Vers une musique expérimentale”, Revue musicale 236: 23 & 24, 1957, trad. de Carlos Palombini inPierre Schaeffer, 1953: por uma música experimental”, Revista eletrônica de musicologia 3, 1998)

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de lembraça aos alunos sobre as aulas que não terão

Como previsto em “nosso plano”, semana que vem não haverá aulas de História & Música nos dias 16, 17, e 18. Aproveitem para se preparar para o seminário do texto “Pierre Schaeffer 1953: por uma música experimental”!

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de aus der erfahrung des denkens, de martin heidegger

When thought’s courage stems from
the bidding of Being, then
destiny’s language thrives.

As soon as we have the thing before
our eyes, and in our heart an ear
for the word, thinking prospers.

Few are experienced enough in the
difference between an object of
scholarship and a matter of thought.

If in thinking there were already
adversaries and not mere
opponents, then thinking’s case
would be more auspicious.

(Martin Heidegger, Poetry, Language, Thought, tradução de Albert Hofstadter, Nova York, Harper and Row, 1971, p. 5)

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de a hora da escuta difícil, de laurie anderson

Boa noite. Seja bem-vindo à Hora da Escuta Difícil. O ponto em seu seletor daquele som implacável e impenetrável da Música Difícil [Música… Música… Música…] Empine-se contra o encosto vertical de sua cadeira, abotoe o colarinho e prepare-se para um pouco de música difícil: Uhu!

(Laurie Anderson, “A hora da escuta difícil”, 1984, citado por Susan McClary, “Terminal Prestige: the Case of Avant-Garde Music Composition”, Cultural Critique 12: 57, 1989, trad. Carlos Palombini)

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de heitor villa-lobos: a vida e as obras, de eero tarasti

O Brasil sempre foi a terra prometida da retórica e de todo o tipo de rodeios verbais e embelezamento dos fatos, onde nade se exprime de modo direto. Qualquer um que tenha passado algum tempo no Brasil sabe disso, que vale de modo geral para todas as afirmações verbais sobre Villa-Lobos: nada pode ser tomado em sentido literal.

(Eero Tarasti, Heitor Villa-Lobos ja Brasilian sielu, Helsinque, Gaudeamus, 1987; traduzido para o inglês como Heitor Villa-Lobos: the Life and Works, 1887–1959, Jefferson, Carolina do Norte e Londres, McFarland, 1995, p. 35. Traduzido do inglês por Carlos Palombini.)

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de a escuta na música, de heinrich schenker

O maior triunfo, o deleite supremo na escuta de uma obra de arte, é elevar o ouvido à potência do olho. Basta pensar numa paisagem, ampla e bela, cercada de montanhas e montes, cheia de campos e prados e bosques e córregos, cheia de tudo aquilo que a natureza cria em toda a sua beleza e variedade. E poder-se-ia então ascender a um lugar de onde se pudesse abarcar toda a paisagem de um único golpe de vista… Da mesma forma, existe, em alguma zona acima da obra de arte, um lugar do qual se pode ver e ouvir, do espírito da obra de arte, todos os seus caminhos e alvos, suas diversões e seus furores, toda a sua variedade e limitação, todas as suas dimensões e relações.

(Heinrich Schenker, “Das Hören in der Musik”, Neue Revue 5 (2): 115–121; reimpresso em Helmut Federhofer (org.), Heinrich Schenker als Essayist und Kritiker: Gessamelter Aufsätze, Rezensionen und kleinere Berichter aus den Jahrn 1891–1901, Hildesheim, Zurique e Nova York, Georg Olms Verlag, 1990, pp 96–103. Citado de Ian Biddle, “On the Radical in Musicology”, Radical Musicology 1, 2006; traduzido do inglês por Carlos Palombini.)

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